Tomás de Aquino

Tomás de Aquino
O boi mudo da Sicília

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Cronologia da filosofia medieval após o século X

Notas para a aula de Filosofia Medieval 2 – UFU, 09 de Setembro de 2009-09-09




Tema: A noção de filosofia Cristã


- Pedro Damião (1007-1072): crítico do uso da dialética, visava não apenas os usos questionáveis e até infantis (por exemplo, o silogismo do rato dissílabo), mas atacava a própria dialética por considera-la um perigo para a vida monástica. Dizia ele que o inventor da dialética foi o diabo, que ensinou o homem a usar o nome de Deus no plural. O máximo que as artes liberais ou a filosofia podem pretender é ser “serva da teologia”.



- Anselmo de Cantuária (1033-1109): menos seduzido pela dialética enquanto tal e menos desconfiado do que Pedro damião, Anselmo pôs em prática a máxima agostiniana do “crer para entender, entender para crer”, escrevendo no Proslogion ou A fé que busca a compreensão.



“Não tento, Senhor, penetrar a tua profundidade, pois não lhe comparo de modo nenhum minha inteligência; mas desejo compreender um pouca a tua verdade, que meu coração crê e ama. Pois não procuro compreender para crer; mas, creio para entender. E creio também que, se não crer, não entenderei”



- O argumento ontológico.



- Quando o insensato ouve a expressão “algo tal que não se pode pensar nada de maior” entende o que ouviu. O que ele entende está presente em sua inteligência, ainda que el não pense que este algo exista. De fato, uma coisa estar presente na inteligência é diferente de pensar que esta coisa existe. Por exemplo, antes de pintar um quadro, o pintor o tem em sua inteligência, embora o quadro ainda não exista. Depois de pintar o quadro, este existe tanto na inteligência quanto realmente.



- É certo que “aquilo tal que não se pode pensar nada de maior” não pode existir apenas na inteligência, pois, se existe apenas na inteligência, pode-se pensar em algo ainda maior, que exista na realidade; com efeito, existir na realidade é mais do que existir no pensamento apenas.



- Portanto, existe, sem dúvida, algo tal que não é possível pensar algo de maior, tanto na inteligência, quanto na realidade.



- Pedro Abelardo (1079-1142): o desenvolvimento da dialética chega, apesar das oposições, à maturidade com a atividade como professor do mestre Pedro Abelardo. Também conhecido pela sua atribulada vida sentimental, Abelardo é o patrono dos intelectuais, dedicando sua vida ao estudo e ao progresso da discussão. Praticamente inventou o método de discussão por questões, que consiste em alinhavar as opiniões discordantes e, usando dos instrumentos da lógica, resolver as divergências, reais ou aparentes.



- A questão dos universais



- A origem remota da questão dos universais está na controvérsia entre Platão e Aristóteles sobre o estatuto ontológico das idéias ou, como Aristóteles prefere chama-las, dos gêneros e espécies.



- Tal como chegou ao século XI, a questão vem do neoplatônico Porfírio, que na sua Introdução à Lógica de Aristóteles (Isagoge), pergunta: “são os gêneros e as espécies realidades subsistentes em si mesmas ou simples concepções do espírito?”.



- O realismo. A tendência no século XI era dizer que os universais têm algum tipo de existência na realidade, fora do pensamento humano.



- O nominalismo. Roscelino (1050-1120) foi talvez o primeiro pensador medieval a sustentar que os universais são meras palavras.



- Pedro Abelardo retoma a questão em sua Lógica para principiantes e a resolve de modo bem dialético, procurando uma solução intermediária. Contra Roscelino, ele diz que os universais não são meras palavras, pois possuem significado. Contra os realistas, dentre os quais o seu mestre Guilherme de Champeaux, ele afirma que os universais não podem ser coisas ou essências comuns aos indivíduos. Para Abelardo, somente os indivíduos ou coisas individuais existem na realidade, mas possuem algo em comum, isto é, o fato de serem tais indivíduos. O mérito principal da obra de Abelardo é tentar uma descrição das operações da inteligência humana, tentando mostrar como se formam as representações mentais universais, ligadas às palavras e que remetem ao elemento comum aos indivíduos existentes fora da mente.



- João de Salisbury ( 1110-1180), escreve ao bispo Tomás Beckett: “Fiz um desvio por Paris. Quando aí vi a bundância de víveres, a alegria das pessoas, a consideração de que gozam os clérigos, a majestade de toda a Igreja, as diversas atividades dos filósofos, pensei ver, cheio de admiração, a escada de Jacó, cujo cimo tocava o céu e era percorrida por anjos, sempre a subir e a descer. Entusiasmado por esta feliz peregrinação, tive de confessar: o Senhor está aqui. E vieram-me ao espírito as palavras do poeta: “Feliz exílio o daquele que tem este local como habitação”



- A Escolástica

- Tomás de Aquino (1225-1274) produz uma obra monumental, a Suma de Teologia, que servirá como modelo para a teologia pelos próximos quatro séculos. Essa obra é resultado do magistério e da pesquisa feitos no interior da Universidade, instituição que atinge a maturidade no século XIII, como culminância de um processo para o qual contribuíram vários fatores.



- Novos textos.

Na segunda metade do século XII, a Europa ocidental foi invadida por uma maré de traduções do grego e do árabe, produzidas principalmente em Palermo e Toledo. A obra de Aristóteles foi totalmente traduzida para o latim assim como os seus comentadores árabes, mas além disso, novos campos do saber foram subitamente acrescentados ao corpus das disciplinas estudadas nas escolas.



- Ordens mendicantes.

Os séculos XII e XIII foram teatro de um vigoroso renascimento religioso, animado por um desejo de retomar a simplicidade e despojamento da Igreja primitiva. Frequentemente esse desejo acabava levando a movimentos classificados como heréticos pela Igreja. As ordens mendicantes foram a versão desse movimento aceita pela Igreja. São Francisco de Assis (1182-1226) fundou a Ordem dos Frades Menores e são Domingos de Gusmão (1170-1221) fundou a Ordem dos Irmãos Pregadores). Franciscanos e dominicanos acabaram recrutando muitos dos melhores espíritos da época para suas missões e, no século XIII, as duas ordens tinham representantes na universidade de Paris.



- A Universidade.

No século XII, a civilização e a cultura tinham se deslocado das abadias para a cidade e se centralizado nas catedrais. Estas escolas urbanas foram o germe da organização que viria a ser conhecida como universidade. A universitas magistrorum et scholarium ( o conjunto dos mestres e estudantes) eram uma mistura de sindicato e comunidade de trabalho, organizada como uma corporação de ofício para desenvolver suas atividades e defender seus privilégios. A Universidade de Paris tinha uatro faculdades: Artes, Direito, Medicina e Teologia, sendo a de Artes um pré requisito para as demais. Desenvolveu-se sobretudo por meio de uma cultura livresca que viria a ser combatida no Renascimento em favor de uma pesquisa experimental.

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