Tomás de Aquino

Tomás de Aquino
O boi mudo da Sicília

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Notas de Aula - 07 de Outubro

NOTAS DE AULA - FILOSOFIA MEDIEVAL 2
DIA 07/10/2009


O Espírito da filosofia medieval (Etienne Gilson) - capítulo 1 a 4 e 13, 14.

Pontos principais:

1) A noção de filosofia cristã

2) O Ser e os seres

3) O conhecimento



1) A noção de filosofia cristã

- Problema inicial: pode-se subordinar o exercício da razão à fé religiosa?
- Questão de fato: o cristão, mesmo o filósofo cristão, não pode ignorar a revelação (Bíblia).
- Princípio fundamental da filosofia cristã: a fé que busca o entendimento.
- Impasse entre a noção de filosofia cristã segundo o agostinismo e o tomismo: ênfase na filosofia ou no cristianismo?
- Segundo problema: a filosofia poderia ter passado direto dos gregos para os modernos?
- Resquícios de noções filosóficas cristãs na filosofia moderna e contemporânea: Descartes, Kant, Heidegger.
- Questão: a filosofia conseguirá eliminar, um dia, as questões metafísicas (de origem religiosa)?
- Filósofos aderiram ao cristianismo logo no início da Igreja: o que ganharam com isso?
- Paulo: a noção de sabedoria divina e o conhecimento de Deus a partir de Suas obras.
- Filosofia cristã: programa de vida, respostas coerentes aos problemas filosóficos, acessível a todos.
- Conclusão: é cristã toda filosofia que, embora faça distinção entre fé e razão, considere os dados da revelação indispensáveis ao correto filosofar.



2) O Ser e os seres

- Noções que o cristianismo trouxe para a filosofia: o Ser supremo e seus atributos (único, eterno, infinito), criação (distinção entre o universo e sua causa), distinção entre essência e existência, operações do espírito.
- Ser supremo: só há um Ser que merece o nome de Deus e o Seu nome é Ser.
- Platão: o Demiurgo cria a partir das Idéias, portanto, não é supremo.
- Aristóteles: o primeiro motor imóvel é o único a ser o primeiro, mas não é o único a ser imóvel.
- Origem da noção de Ser supremo: “Eu sou aquele que é” (Êxodo 3,14).
- O conceito de ser, existir, só pode ser aplicado a Deus por analogia.
- Perguntar se Deus existe é o mesmo que perguntar se o Ser existe: argumento ontológico.
- Identidade em Deus, entre Ser e essência ou entre essência e existência.
- Se Deus é o Ser verdadeiro, tudo o mais que existe não merece verdadeiramente o nome de seres.
- Corolário da noção de Deus/Ser: o mundo da extensão e do movimento fica relegado à penumbra, à irrealidade de um quase não ser (identidade com o platonismo).
- Interesse dos cristãos pelo tema do movimento vem da convicção de que tudo o que é criado é móvel, finito, limitado.
- Aristóteles: tudo o que se move implica ser, mas não ser em plenitude, já que se move (EFM, 88).
- O movimento é o ato do que existe em potência enquanto é potência (teoria do ato/potência).
- Interpretação cristã: o movimento não significa apenas a contingência dos modos de ser, mas a contingência radical da existência dos seres criados.
- Concordância metafísica entre o “Eu sou aquele que é” (Êxodo 3,14) e “No princípio, Deus criou o céu e a terra” (Gênesis 1,1).
- O Demiurgo de Platão: dá tudo ao universo, exceto a existência.
- O primeiro motor imóvel de Aristóteles: explica porque o universo é o que é, mas não por que existe.
- Desde o princípio, os pensadores cristãos se deram conta dessa concordância metafísica: Clemente de Alexandria, o autor do Pastor de Hermas, Aristides, Teófilo de Antioquia - até o século II.
- Não era possível alcançar a noção de criação NE, a distinção real entre essência e existência no que não é Deus (o Ser).
- É possível provar a existência de Deus a partir do mundo criado.
- Agostinho - Confissões, X: a alma supera sucessivamente todas as coisas para se elevar ao Criador, que as fez.
- Tomás de Aquino: as provas cosmológicas são caminhos que partem do mundo criado para atingir o seu Criador, seja como causa do movimento (EFM, 101), como causa eficiente (EFM, 104) ou como causa final (EFM, 107).



3) O conhecimento

- Toda epistemologia cristã é realista.
- Questão: não seria de se esperar um idealismo, dada a proximidade com o platonismo?
- Resposta: o realismo epistemológico do cristianismo provém da idéia de criação.
- O problema (segundo Mateus de Aquasparta): a essência é o objeto do intelecto; ora, a essência independe da existência do objeto, logo, é teoricamente possível que o intelecto tenha como objeto o não existente.
- Solução (segundo o mesmo Matheus): a conformação da Idéia com a coisa é garantida pelos modelos divinos, existentes na mente de Deus.
- Tomás de Aquino discute o problema a partir da noção de verdade: 1) verdadeiro equivale ao ser (o que é, é verdadeiro); 2) a verdade é a adequação do intelecto à coisa; 3) a verdade é uma propriedade do juízo (verdade lógica).
- Solução de Tomás: a verdade está, em primeiro lugar, no intelecto divino, que a transmite às coisas criadas e estas ao intelecto humano; não haveria intelecção se o objeto sensível não fosse dotado de inteligibilidade.
- Consequência: discordância da tese da incerteza dos sentidos (platônico/agostiniana).
- Solução de Duns Scot: conserva do agostinismo a tese da incerteza dos sentidos, mas evita o conseqüente idealismo com a tese de que a dependência atual do conhecimento humano com relação aos sentidos é um fato, mas não é necessária.
- O objeto do intelecto
- 1) Tomás de Aquino: há uma relação natural entre o intelecto humano e a natureza das coisas materiais, não é possível ao ser humano um conceito próprio da substância puramente inteligível, mas apenas conhecimento abstrato; não pode, portanto, ter Deus como objeto próprio.
- 2) Duns Scot: o estado do intelecto humano nesta vida não é necessariamente o estado natural desse intelecto, atualmente conhecemos a partir das coisas materiais.

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